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(SILVA FREIRE, Trilogia cuiabana, vol.1, p.29, 1991)

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Setembro Freire - No mês das crianças grupo de pesquisa sensibiliza o pensamento criativo

06/10/2015 às 11:44


Quando os poetas Silva Freire e Wlademir Dias-Pino eram crianças a vida era jogar bola na Mandioca, conhecer as ruas da cidade, soltar pipas, subir em árvores para comer cajus, ir ali na igreja de São Benedito, participar dos carnavais cuiabanos nos clubes e torcer pelos times locais no estádio. Hoje as crianças estão restritas à rota: escola, igreja, casa de parentes. A vida ficou menos divertida e o futuro será cheio de lacunas se não se for feito nada pelo amanhã hoje! A constatação é do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Infância (GPPIN), da UFMT, coordenado pela professora Daniela Freire, filha de Silva Freire. Preocupados com essa restrição da vivência infantil é que o GPPIN vem, há duas edições do Circuito Cultural Setembro Freire - que este ano termina em 31 de outubro - colocando em prática ações de incentivo ao conhecimento da cidade. Em 2013 foi o projeto “Bate Bola na Mandioca”, que levava crianças a conhecer o Centro Histórico onde Freire brincava e, nesta edição, “Percursos com Wlademir Dias-Pino”, onde conhecem e reconhecem a UFMT através das obras deste poeta e artista visual homenageado desta edição.
 
Daniela explica que o GPPIN fez algumas investigações em campo e chegou à conclusão de que as crianças conhecem muito pouco de Cuiabá. Tanto as de escolas públicas quanto as de particulares visitam, sobretudo os estabelecimentos privados, os templos religiosos e a casa de parentes. “Consideramos essa rota muito empobrecedora para a relação que a criança pode estabelecer com a cidade. Tanto com a memória social desta quanto com o presente da Capital onde se entende a cidade como um campo onde ocorrem o desenvolvimento e a aprendizagem infantil. No campo social o contexto social e histórico está aí, aberto para as crianças explorarem, mas, principalmente a questão da segurança e a limitação financeira (para as de escolas públicas), restringem o fluxo desse público”, garante a educadora.
 
No “Bate Bola na Mandioca”, que era um passeio guiado das crianças pelo Centro Histórico as crianças entraram em contato não só com a dimensão histórica, mas com toda a questão patrimonial. A importância da Praça da Mandioca como um lugar na cidade de resistência e a comunidade local, enfim, de todo seu contexto. Contudo, informa Daniela, de lá para cá os resultados de pesquisa com as crianças de escolas particulares mostraram novos dados. “Por exemplo: se as de escolas públicas não circulam por conta da limitação financeira e por falta de companhia de adultos para poder circular e, quando circulam, é pela condução da escola; as de escolas particulares andam pouco pela falta de segurança e, quando o fazem estão dentro de carros. Então veem a cidade sempre em fragmentos, sempre pela janela, nunca inteira como ela realmente é”, revela.
 
Vendo a cidade em fragmentos ou indo apenas a alguns lugares a criança não entra em contato com as pessoas que vivem aqui. Tanto é verdade que a descrição da Capital, segundo a pesquisa, é mais enriquecida pelas crianças das escolas públicas do que pelas de particulares. Estas não sabem dizer como é o cheiro, os sons, as cores, o calor da cidade, pois não sentem os efeitos do centro nervoso que uma criança que anda de ônibus sofre.
 
Percurso e resultado
 
Com a ideia de apresentar a UFMT para este público é que, nesta edição, o Setembro Freire - que homenageia Dias-Pino, criador da logomarca da universidade e amigo de infância de Silva Freire -, definiu a ação pedagógica, que termina no próximo dia 9, unindo pedagogia e arte, “Percurso com Wlademir Dias-Pino”, que ainda tem espaço para agendamento escolar pelo telefone 9972-2337.
 
Daniela destaca que tanto no grupo de estudantes de escolas públicas quanto de particulares a UFMT aparece minimamente. “Para os da pública aparece apenas o zoológico com o agravante de que este espaço não pertence a lugar nenhum, é apenas um zoológico da cidade. Quer dizer, não existe uma consciência que há uma universidade que acolhe este local. E no das particulares aparece a UFMT como uma logomarca, um lugar restrito. Não é onde a criança possa se incluir e se sentir pertencente. Ela nem consegue ver a grandiosidade do projeto de uma universidade. E isso preocupa muito porque se a universidade não é um lugar onde a criança possa vivenciar e se sentir pertencente nos perguntamos se ela, em algum momento da vida, tem condições de colocar a UFMT dentro de seu projeto de vida. E que reflexos isso teria no futuro de cada uma”, ressalta.
 
O percurso, que está inserido no contexto da UFMT das crianças, tem como objetivo fazê-las compreender o que é a universidade a partir dos simbolismos visuais de Dias-Pino. “Se observarmos, suas obras explicam a função da universidade, de qualquer uma. No caso aqui da UniSelva, da Universidade da Selva, a questão local, a preocupação com os problemas da Amazônia Legal”, observa Daniela.
 
Quando fazem a rota pela universidade o grupo de monitores pergunta antes do passeio questões que dão elementos sobre o que a criança conhece da UFMT e o que ouvem é o desconhecimento sobre sua função, o que só confirma as pesquisas. “A gente quer criar uma visualidade e densidade de dados para podermos escrever sobre isso academicamente e apresentarmos para a pró-reitoria de extensão para que a UFMT possa pensar a infância dentro do campus. Existem alguns programas para este público, como o coral infanto-juvenil, que são bons, mas as escolinhas de esporte, que eram um super trabalho da universidade foi se enfraquecendo ao longo do tempo e outras ações foram sendo esvaziadas. Assim este esforço do GPPIN é tentar mostrar que sim, ainda há espaço para as crianças na UFMT, que é também um local de desenvolvimento desta parcela da população”, garante a professora.
 
Para ela, a construção da forma de lidar com um campo de saber fez o Setembro Freire ser um parceiro incrível. Isso porque a arte também é conhecimento e está presente dentro de uma universidade fomentando os processos criativos de inovação de uma sociedade. “Entrar em contato com essas possibilidades é dizer para as crianças que sim, elas têm permissão para pensar”, finaliza.
 
Mais SF
A ação pedagógica termina dia 9 de outubro, mas o Setembro Freire segue até o próximo dia 31 com a exposição “Cuiabá Experimental” no Museu de Arte e Cultura Popular que possui obras de Dias-Pino. A entrada é gratuita e o espaço está aberto de segunda à sexta das 8 às 18h e aos sábados das 9 às 13h.
 
Parcerias
 
O SF é realizado pela Casa Silva Freire em parceria com o Governo do Estado através da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e Casa Civil; Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso; Sala da Mulher; Prefeitura Municipal de Cuiabá; Tribunal de Contas do Estado e da Universidade Federal de Mato Grosso - Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Vivência. Patrocinam a ação cultural a Gráfica Print e o advogado Amaral Augusto da Silva. O apoio cultural é da Fapemat; RG Dicke; Grupo de Pesquisa em Psicologia da Infância (GPPIN); Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO); Mestrado em Estudos de Linguagem (MEEL); Rede CO3; OAB-MT; Fiemt; Iphan; Seduc; Museu de Arte de Mato Grosso – MA-MT; Museu Histórico de Mato Grosso; Cena 11; Entrelinhas Editora; Livraria Nobel; Casa de Guimarães; Colégio Master; Água Lebrinha; Correia da Costa Advogados; Papelaria Dunorte e Yod Comunicação.
 
Todas as atividades que compõem o Setembro Freire podem ser conferidas no site www.casasilvafreire.org.br.
 

Fonte: Adriana Nascimento - Assessoria CSF - Foto: Lucy Mary Dias Rosal

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